segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Grandeza do Homem




Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem



Ruy Belo
in "Aquele Grande Rio Eufrates"

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rosa renascida das cinzas

"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
Antoine de St. Exupéry

Que estranho é o mundo do homem!
Colhe uma rosa para seu prazer temporário,
Cedo se farta do seu perfume
E cedo a troca pela novidade de um simples malmequer
Que encontra numa paragem qualquer do caminho…

Chegará o tempo em que a rosa do jardim,
Esconderá o seu perfume
Para não ser tocada pela mão do mesmo homem,
Que se servirá do seu perfume
E quando saciado
A ocultará nas sombras das suas desejosas aventuras
E a trocará por um simples malmequer…

Assim aconteceu!
A rosa se transformou em cinzas
Quando pressentiu a aproximação do homem,
Devorador por excelência, insaciável coleccionador…

E das cinzas se fez outra vez ROSA
E o perfume com que os Deuses a dotaram,
Se espalhou pelo Universo
E abençoou os Verdadeiros Amantes…
E ainda aqueles que buscam o Verdadeiro Amor...

Esta é a minha homenagem
A uma ROSA que conheci ontem…
Que renasceu das cinzas e se tornou mais bela,
Tornando o Universo dos Bem-Amados
E dos que virão a sê-lo,
Eternamente perfumado…
Ariam

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sonhos de Ontem




A criança de ontem
Deixou para trás os sonhos
Da simplicidade e da inocência…
E atreveu-se a sonhar que
No mundo
Poderia construir um jardim
Sem espinhos
De aromas frescos e quentes
E que o crescimento seria sadio…

Mas…
A terra macia e fértil
Onde poderia criar o Jardim
Endureceu
Ficou contaminada pela ambição
Das pessoas do mundo…
Que fazer?

Ariam

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sacralidade Feminina



“O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de “chegada a casa”.
Jean Shinoda Bolen

Todas as mulheres têm uma única escolha:
Transformarem-se no que realmente são,
Senhoras da Vida e da Luz!
Ou morrerem na insegurança e na banalidade mundana que o homem lhes oferece.

Diz-lhes a Mãe Natureza:
“Ergue-te ao cimo da tua Grandeza Feminina,
ou desce ao mais baixo dos mundos,
à escória das humanidades femininas e masculinas
que vivem insaciavelmente do mundano mundo da mentira
dos prazeres sem alma e coração
e das ilusões do momento fácil…

E, se resistires à tua Grandeza Feminina
que chama por Ti,
Estagnarás para sempre!
E morrerás nas mãos do homem que não te respeita...”

Ariam

Humanos, esquecidos de si...




Apenas os seres humanos chegaram a um ponto onde não sabem mais por que existem.
Eles não usam seu cérebro e esqueceram o conhecimento secreto de seu corpo, de
seus sentidos, ou de seus sonhos.

Eles não usam o conhecimento que o espírito colocou dentro de cada um deles; eles não estão nem mesmo cientes disto, e assim cambaleiam para diante cegamente, no caminho para lugar nenhum — uma estrada pavimentada que eles terraplenam e tornam lisa, de forma que possam ir mais depressa para o grande buraco vazio que eles encontrarão no final, esperando para tragá-los completamente.

É uma superestrada, rápida e confortável, mas eu sei para onde ela leva. Eu vi. Estive lá em minha visão e me faz estremecer pensar nisso.

O xamã Lakota Lame Deer

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

AMORES LÍQUIDOS


Amores líquidos…

Um título, que por si próprio
Faz entrar
Na modernidade dos tempos
E recordar os amores sólidos,
Feitos de puro diamante,
Resistentes e luminosos,
Românticos por natureza…

Os tais amores...
Sólidos,
Belos e quase extintos…

Surgem então, nesta modernidade decadente,
Os tais amores líquidos…

Tão líquidos
Quanto a água que colhemos na palma das mãos,
Que bebemos e nos refresca por escassos momentos,
Que se vai por entre os dedos,
Mais rápido que o pedaço de tempo de frescura…

Tão frágeis quanto uma taça de cristal
Que ao mais pequeno embate se parte em pedaços
Impossíveis de Unir outra vez…

Convivemos lado a lado com esses
Amores líquidos, amores corrosivos…
Amores de ocasião,
que corroem os que nasceram da autenticidade…

A corrosão dos amores líquidos
Inundou os tempos da modernidade !

Qual surrealismo!
Aparecem os amores virtuais,
Amores criados em redes,
Sem a solidez do contacto,
Sem a transparência da voz
E do sentimento que ela projecta,
Sem os olhares recíprocos,
Não toldados pelas interferências virtuais…

Amores líquidos
Que se conhecem numa certa ocasião,
E nas ausências das ocasiões que os geraram,
Se mantêm virtualmente conectados,
Com uma cegueira cada vez maior,
Que os impossibilita de ver o Íntimo de si próprios,
E o Universo ao seu redor…

Tudo o que foi belo e sólido é verdadeiramente esquecido…

E, nesta modernidade inquietante,
As relações amorosas e familiares sólidas
São destronadas da rocha
Que lhes deu origem,
Da rocha talhada artisticamente
Pelos ventos dos tempos
Que sopraram mensagens de segurança
E de sustentação humanista…

Saberemos ainda o que é o verdadeiro humanismo?

Ou será que já o confundimos
Com as cortesias lânguidas, envenenadas,
Que se transformam em amores líquidos
Transportadores de venenos emocionais
com sabor a mel adulterado,
Que se espalham nos núcleos das famílias,
Dos amigos e
Dos amores
Talhados inicialmente em diamante puro…

Ariam

Renascerei




E a minha voz nascerá de novo,
talvez noutro tempo sem dores,
sem os fios impuros que emendaram
negras vegetações ao meu canto,
e nas alturas arderá de novo
o meu coração ardente e estrelado.


Pablo Neruda

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Zé Aparecido da Consciência Furtado





mas quem era ele meu deus do céu! pra pensar que era capaz de fazer poesias como aquelas que a toda orgulhosa mãe do doutor josé agora recitava pro pessoal da segurança abrutalhados insensíveis como ele talvez mais interessados em comer o franguinho sobra de festa encerrada agora gelado mas farta e caridosa mente a eles ofertado. o pessoal da segurança.
coisa linda! aquele livro nas mãos ainda delicadas da senhora de fato boa como todas ao que parecia poucas a não diferenciar por entre o joio quéram eles e o trigo quéram elas. pessoas assim queném que ela. a mãe do doutor josé.
beleza de livro! páginas e mais páginas doze ao todo contendo inspiradas e grandes palavras em tipo dezoito impressas e ricamente encadernadas em meio a todos os possíveis e brilhosos dourados tal qual mais digna e propriamente convinha a uma obra daquele porte ofertada ao um degrau acima presidente do conselho de administração de um big hiper quiçá (e quiçava!) mega baita multi nada nacional nem inter mas galáctico empreendimento. o chefe do doutor josé.
beleza de palavras! das quais belo também era o meigo e melodioso recitar que por entre os gordurosos porém atentos nham nham nhans de nossas bocas famintas não de todo educadas menos ainda fechadas a mãe do doutor josé exercia. modo a enfatizar o quê no original tão nacional mente o filho sublinhara e assim em negrito impressas foram. as palavras.

pág. 3
as bolhinhas que aqui borbolham
não borbulham como lá.
ai que saudade eu tenho
das bolhonas do meu guaraná!
pág. 4
Deus, salve a rainha!
Salve a América e o Principado de Mônaco!
E não Se esqueça também de Coco, minha gatinha.
o.k?
pág. 5
E a Tijuca !?! comé qué fica, hein?
ora diz quem sabe de mim.
Sou eu!
a manter com johnwayniano afinco
(sempre ao lado e carregado)
meu colt quarenta e cinco.
pág. 6
Eis-me aqui, defronte,
a indagar humilde (porém garboso!)
às alturas desse monte:
-?Como foi possível, ó cardoso, tal bobeira?
Perder assim tão fácil
minha fazenda brasileira.

quem era ele meu deus do céu o bruto pra escrever coisas assim tão tão? unfh sei lá magine! ele que por ser-se a êsmo era apenas um segurança em si só desses mesmos bam! bam! bams! dos bãbãbãs que assim sorte ou sina são e alvos seguem e se garantem subindo e descendo os plurais ésses e ásperos zês saliências essenciais que ela sibilante pra cima e pra baixo prum lado e pra outro ziiim! ziiiim! ôsh! por pouco muito pouco a todo instante zunindo faz. a vida.
linda aquela senhora! para quem a outra ela a vida era uma reta asfaltada cuja mão além de única era grande.
ô! e néranão tudo uma alegria só?
só?
humnm...
acompanhada vai.
por essa mulher que desde sempre se apaixonou pelo infinito.
a eternidade.
mas quem era ele meu deus do céu! pra pensar que era capaz de fazer poesias como aquelas que continuava recitando a toda orgulhosa mãe. do doutor josé.
pro pessoal da segurança.

pág. 10
batatinha, na Somália quando nasce
pede colo e proteção.
Eu aqui, quando choro
mamo logo de montão!
pág.11
...








segunda-feira, 12 de setembro de 2011

La libertad

No quiero que me quites
la libertad, porque ella es parte
inexcusable de mi compromiso.

Racióname la miel de las caricias.
Quítame un ramo de las flores
que profusamente me entregas.
Redúceme, si quieres,
el espacio sagrado de los besos.

Pero no me condenes, no me quites
la libertad, porque la quiero
para darte mi amor sin ataduras.

Del libro “Gotas de hielo”



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Peregrino



Oh, que mundo de surpresas!
Que maravilha ver-me ainda inteira
Livre de tanta mentira!
Bendigo a mão que me mostrou
As armadilhas do caminho
E me ensinou a acertar o passo
E seguir
Os rumos do coração.

Quantos peregrinos!
Quantos me cercaram
Ao cruzar aquele vale sombrio!
Estranhas pessoas me rodeavam sedutoras
Com laços, redes e um profundo abismo
No íntimo de si próprias.

Passei por muitas provas
Esgotei o corpo e a alma
Adoptei lutas que não eram minhas,
Qual débil peregrino!
Fui tomada, usada, vencida e pereci.

Foi tão fácil a caída!
E tão difícil foi levantar-me!
Bendigo o cajado
E os livros que me inspiraram.
Por isso continuo inteira…
Minha vida está guardada
Na arca mais preciosa
Até ao triunfo desejado.

O cajado e os livros,
Manancial de inspiração,
Rodearam-me de silêncio
Para poder ouvir a voz do coração.

Acordei no Agora!
Abracei quem ontem fui,
Quem amanhã vou ser,
Estou pronta para continuar a Caminhada….

Oh, como flui este rio cristalino
Que acompanha o meu caminho!
Que verdes prados e coloridas flores
Comunicam ao ar os seus perfumes!
Quem alguma vez saboreou
O fruto destas árvores da vida?
Vou a caminho, neste sitio delicioso,
Estou quase a passar a ponte,
A entrar nos recônditos do coração…
Ariam

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Inocência…

Ouvi há dias alguém dizer
Que “os adultos são crianças grandes
Que perderam a inocência
Mas ganharam crueldade,
Mentira e insensibilidade.”
E que “é urgente reconquistar a Inocência”.

E pensei na Inocência,
A qual está ligada à criança.
Inocência! Bela e poderosa
Poderosa em esplendor e Vida.

Quando a perdi? Não sei!
Nunca perdi a criança que outrora fui,
Nem a Inocência que a alimenta,
Por isso não me deixo envelhecer.

Mas… em vidas que tive
Dentro desta vida,
Permiti que tentassem roubar-me a Inocência…
E então descobri que ainda falo com os meus sonhos,
Que ainda os acaricio com o pensamento,
Alma e coração.
E que ainda consigo sorrir e rir até chorar,
Rir dos que tentam roubar-me a Inocência.

Andei por vales sombrios,
Completamente só,
Caí em abismos e pensei que jamais sairia deles com vida,
Que não retornaria à minha Origem.

Mas… esta inocente vontade de viver,
Renovou em mim a Força de querer continuar,
E porque não, saborear esta noite negra,
Envolta em solidão?
E depois, abraçar o Amanhecer
Com a vontade de viver o dia como se fosse o último…

Também naufraguei em mares desconhecidos,
É verdade!
Mas acreditei que bem próximo
Me esperava uma ilha,
Onde o Sol brilhasse fulgurantemente,
E me isolasse das sociedades decadentes,
Putrefactas,
Que exalam os cheiros nauseabundos de mentes sujas e egoístas,
Deterioradas pela ausência da Inocência.

E fui viajante, imagine-se!…
Viajei pelo Oceano do Amor,
E não naufraguei!
Cheguei a uma ilha que baptizo “Ilha do Amor”.
E aí vivi, trabalhei e Amei,
Exactamente como nos sonhos inocentes de criança…
E… nunca perdi a certeza de mim,
Nem a certeza de que o Amor está em mim,
De que o Amor está em ti...
De que é a Inocência que O alimenta…

Hoje, dei comigo a pensar na Inocência…
A retornar ao mundo maravilhoso da criança que fui,
Que vibra com o dia que nasce e morre.
E falei com as estrelas, pedaços de mim,
Ou eu pedaços delas.

E fechei os olhos e senti o perfume e as cores da vida,
E ri até chorar,
Ri da insensibilidade das pessoas,
Da sociedade cruel e injusta
Criada por homens e mulheres
Que deixaram de ser crianças,
Que perderam toda a inocência,
Todo o fulgor e toda a força da vida,
Mas ganharam poderes efémeros...

Quero perder-me no Olhar
Repleto de Sabedoria,
No Olhar que emana de uma Fonte de Vida,
Inocente e Forte,
Que nos devolva a capacidade de Sorrir com Inocência,
E de Sentir o Silêncio Regenerador…

Na verdade,
Quero olhar o meu rosto e o meu corpo marcados pelos anos,
Sentir que dentro de mim,
Pulsa cheia de vida,
Uma Criança Inocente,
Que anseia regressar ao seu ÍNTIMO,
À sua ORIGEM…

Lá fora é tudo tão gélido…

Ariam

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os Amigos

Amigos cento e dez, e talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. De cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

– Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Se eu fosse um Padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!
Mário Quintana

"...Há momentos em que sei que não há distância entre aqueles que se amam."

Divina Música!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.

Kahlil Gibran

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ars Poética

Que cada palabra lleve lo que dice.
Que sea como el temblor que la sostiene.
Que se mantenga como un latido.
No he de proferir adornada falsedad ni poner tinta dudosa, ni añadir brillos a lo que es.
Esto me obliga a oírme.
Pero estamos aquí para decir verdad.
Seamos reales.
Quiero exactitudes aterradoras.
Tiemblo cuando creo que me falsifico.
Debo llevar en peso mis palabras.
Me poseen tanto como yo a ellas.
Si no veo bien, dime tú, tú que me conoces, mi mentira, señálame la impostura, restriégame la estafa.
Te lo agradeceré, en serio. Enloquezco por corresponderme.
Sé mi ojo, espérame en la noche y divísame, escrútame, sacúdeme.

Rafael Cadenas - Venezuela

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sou Um...


Sou Um só,
mas ainda assim sou Um.
Não posso fazer tudo,
mas posso fazer alguma coisa.
E, por não poder fazer tudo,
não me recusarei a fazer o pouco que posso fazer.

Edward Everett Hale (1823-1909)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Declaração do Riso da Terra

Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
O dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens,
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma.
(de um papiro egípcio)

No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...

Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir...

PESSOA, Fernando in citador.pt, acesso em: 16/11/09 as 19:54

sábado, 28 de agosto de 2010

Poema da felicidade

...
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudade, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

Os Justos


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

Jorge Luis Borges, in "A Cifra"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Morre lentamente quem não viaja

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no super mercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
Não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
Pablo Neruda

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poema Quântico

Sou um terrível assassino,
um suicida, uma besta quadrada,
um insensato elevado ao infinito,
um demónio, um anjo divino,
um imbecil qualquer,
um génio, um macaco,
milhões de átomos, um ser,
um planeta, uma galáxia,
o finito ou o infinito,
a verdade ou a mentira,
um verso tonto, ingénuo — ou a Poesia!
Tudo é função do estado mais provável
de ser no tempo, com todas as incertezas das palavras!

Fernando Pessoa

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A poesia inexplicável da vida...

Diz Fernando Pessoa:
“Tudo o que vivemos, vivemos sempre por alguma razão...”

Vivo em esboços inacabados,
Numa constante adaptação
Ao meu renovado viver
À minha forma de existir.

Busco o equilíbrio
Entre mim e eu,
Entre mim e tu,
Entre mim e as pessoas,
Entre mim e Deus,
Em espaços de amado silêncio,
Em que a minha paz
Não me ilude
Nem te ilude.

Presenteio-me com a descoberta de me amar
Simplesmente
De me descobrir
Nesta selva frenética
Onde o viver das pessoas,
Sufoca a tranquilidade.

Por vezes lembro-me dos erros passados
Cometidos por inexperiência e boa fé,
Fazendo comigo um pacto de intenção
Para que não mais se repitam.

Procuro a força e a luz para encontrar dentro de mim,
As soluções para o meu inconstante viver,
A capacidade para encontrar o rumo certo,
E sentir que o leme da minha vida
Não está descontrolado,
Nem me arrastando para algo perigoso.

Por isso procuro incansavelmente
A poesia inexplicável da vida,
Protegendo-me das palavras duvidosas
Dos mestres da mentira e da manipulação.

E se a minha vida terminasse amanhã,
Ainda assim,
Procuraria incansavelmente
A poesia inexplicável da morte,

E em cada página da vida que vivi,
No tempo que me foi concedido,
Encontraria as lições, a poesia,
E a força para continuar incansavelmente
A viver outras páginas
De um novo livro.

Ariam

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade,
compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade,
pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional,
não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida fosse diferente
e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém
apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento
ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável ...
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos.
Abandonei os projectos megalómanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco ao serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é.... SABER VIVER!!!!!!!

Charles Chaplin

terça-feira, 20 de julho de 2010

Momentos


Num mundo que persiste em ser
Cada vez mais igual a si mesmo,
Que eu saiba tecer o pano da vida,
E reencontrar a certeza de SER alguém.

Que eu saiba entrar no meu espírito e no meu corpo,
E possa celebrar a vida em cada Átomo do meu ser.

Que em cada Lua Cheia,
Eu olhe para cima,
E nas árvores desenhadas num céu luminoso,
Eu consiga vislumbrar no Horizonte,
A Luz que me parece longe.

Que eu possa acariciar as flores selvagens das minhas incertezas,
E cobri-las com as mãos,
E possa libertá-las, sem estragar nenhuma,
E transformá-las em plena abundância e amor.

Que os meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio,
Que sejam inocentes e despretensiosos,
E que eu seja capaz de uma nobre gratidão.

Que eu saiba manifestar a Alegria adormecida em meu coração,
E que eu sinta a certeza do Amor nos meus ossos e no meu sangue,
No Espírito, na Alma e no Coração.

E
Sinta também o teu Amor,
Respirar-te em cada inspiração…
E libertar-te em cada expiração,
Desejando-te rios de felicidade em sossego e bendições,
Nos caminhos que procuras,
E te conduzem a encontros felizes e prósperos.

Que o meu Ser fale sempre a verdade sobre a alegria e a dor,
Em palavras que soem com o aroma de alecrim.

Que o sopro das minhas vidas passadas,
Abençoem a minha presente vida,
Onde meus medos e seus derivados,
Sejam queimados no fogo interior
Da Essência que me criou.

Que eu não sucumba à auto piedade,
Num mundo de gente que nos julga pelas aparências,
Que nos sufoca a voz,
No ruído das suas vaidades pessoais,
E nos engana e despreza por sermos diferentes.

Que eu possa fazer parte do novo trabalho de regeneração da Terra,
E não perturbar o lugar onde estou
Onde manifesto a minha existência.

Que eu consiga ter força no olhar,
E ser impecável em todas as minhas atitudes.

Que o Universo me refresque na cascata da Abundância,
E que a minha sensibilidade se abra àqueles que habitam fora da riqueza,
Da fama e dos privilégios,
Que um dia andaram descalços,
Mas seus pés, providos de Asas,
Souberam encontrar a Paz, o Amor, a Harmonia...

Que aqueles que são dominados pela arrogância
Do ter e do saber,
Não encontrem o caminho que chega à minha porta.

E quando chegar o Inverno,
Que eu me sente ao lado do fogo, numa lareira inventada,
E veja as chamas brilhando para o que vier,
E que eu nunca sinta o impulso de aconselhar, sem que me peçam.

Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo.
Que o lugar onde habito seja como uma floresta.
Que hajam caminhos e veredas, cavernas, poços, árvores e flores, animais e pássaros,
O Sol, a Lua e as Estrelas,
Todos por mim inventados e reverenciados.

Que minha existência mude o mundo,
Só por ser quem sou,
Crescendo como as árvores e,
Aprendendo no sussurrar do vento.

Um dia destes, jogarei fora a minha roupa,
E de túnica me vestirei,
Fazendo um pacto de Amor
Para conservar uma Fé inabalável…

Que eu nunca encontre desculpas para ser oportunista,
E que eu saiba que não tenho outra opção,
Que não seja,
Ser eu, simplesmente, com tranquilidade e amor.

Que eu saiba fazer escolhas todos os dias,
E quando falhar, que eu me conceda o perdão.

Que eu não tenha medo ou vaidade de enfrentar no espelho
O meu próprio reflexo…
Reflexo de um passado…
E nessa imagem inacabada, pendente,
Eu trace as linhas do Presente,
Que a minha Essência revelar…
Essência de Amor,
Harmonia,
Paz...

Ariam

sábado, 17 de julho de 2010

Abençoado(a) sejas, porque sabes acertar no Caminho e encontrar a Porta certa


Abençoado(a) sejas
Porque fazes do teu sangue
Rio fluente de vida...
Abençoado(a) sejas
Porque fazes da tua mente
O teu Santuário...
Abeçoado(a) sejas
Porque agarras no teu medo
Na tua culpa
Nos teus traumas
E te libertas
Dos limites que te impõem...
E rasgas as nuvens
Para que o Sol te inunde...
Abençoado(a) sejas
Porque na tua solidão
Consegues fazer solidariedade
De sentimentos...
Abençoado(a) sejas
Porque semeias trigo
Em terra dura...
Abençoado(a) sejas
Porque és fonte
E deixas a água se derramar
Em tua vida...
Abençoado(a) sejas
Porque fazes do teu sexo
Obra prima
E te limpas da sujidade
Que te mostram...
Abençoado(a) sejas
Porque és íman
Que nunca deixarás de atrair...
Abençoado(a) sejas
Porque, se cais
Assumes a tua queda.
Abençoado(a) sejas
Porque abres a janela do teu coração
E me deixas olhar para dentro...
Abençoado(a) sejas
Porque sabes entender
A minha fragilidade
Os meus fracassos...
Abençoado(a) sejas
Porque és a tua própria expressão
Sem artifícios...
Abençoado(a) sejas
Porque sabes ser árvore
Quando preciso da tua sombra...
Abençoado(a) sejas
Porque fazes da tua pele
Manto dulcificante
Que acaricia...
Abençoado(a) sejas
Porque sabes iluminar teu coração,
Quando se encontra nas trevas...
Abençoado(a) sejas
Porque sabes descobrir música
Na tua intimidade...
Abençoado(a) sejas
Porque não te deixas perturbar
Pela turbulência
Dos que muito falam
E nada dizem...
Abençoado(a) sejas
Porque teus olhos simples
Falam da Grandeza da Vida...
Abençoado(a) sejas
Porque sabes acertar no Caminho
E encontrar a porta certa!...
Ariam

Naquele vale, aprendi a sonhar que é possível um mundo melhor


Tudo era vida
Naquele vale,
Onde as realidades da existência
Eram tão simplesmente visíveis...

Aí comecei a sentir,
E aprendi a acariciar
A lã macia do cordeiro,
A aceitar a dureza,
A frieza da rocha,
Descobrindo que
Nela o escultor
Esculpe o seu trabalho...

Aprendi a vestir-me
De folhas de eucaliptos novos;
A sentir a macieza da relva;
A olhar para a limpidez dos ribeiros,
Cuja água cristalina
Me fazia reflectir
No seu espelho.

Aprendi a sentir
O cheiro da terra
Molhada pela chuva
Ou ressequida pelo sol...
Aprendi a sentir
A doçura da noite
Salpicada de estrelas
E prateada pelo luar...
Aprendi a ouvir música no silêncio,
Ou no bater da chuva nas janelas
Daquela casa
Plantada no vale...
Ou no grito nocturno da coruja,
Ou no cantar dos pássaros,
Ou nos sons naturais
Vindos de algum lado...
Aprendi a acariciar o pôr-do-sol
Com o pensamento...
Aprendi a sonhar
E a pensar
Que é possível
Construir um mundo diferente!...
Ariam

A mensagem que eu sinto

A mensagem que eu sinto
É a da criança esquecida
Sufocada
Sob os princípios
Da vida massificada
Pelo peso
Dos “eruditos”, “maduros”,
“responsáveis”,
“perfeitos”, “convencidos”...

A mensagem que eu sinto
É a da criança que sonha,
Que vê maravilhas
Onde os outros nada vêem
Que toca com as mãos
Nas coisas sonhadas
E sente que as tem
Mesmo que ainda não as possua...
A mensagem que eu sinto
É a da criança que busca
Um mundo, onde possa crescer,
Onde possa amar,
E falar das “ninharias” necessárias
Como a esperança...
A Paz...
A Ternura...
A mensagem que eu sinto
É a da criança que brinca
Na vida que não lhe pertence
E constrói Palácios,
E faz um rei e uma rainha...
E fadas...
E vara de condão,
Que transforma
A indiferença em amor,
O desespero em Esperança,
O sujo em limpo,
A morte em vida,
O ruído em melodia,
A dúvida em certeza...
A mensagem que eu sinto
É a da criança esquecida
Nos jantares de festa,
Na paz mascarada
Do Natal dos Homens...
A mensagem que eu sinto
É a da criança
Que nada tendo
Tudo possui...
Ariam

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Peregrino


Oh, que mundo de surpresas!
Que maravilha ver-me ainda inteiro
Livre de tanta mentira!
Bendigo a mão que me mostrou
As armadilhas do caminho
E me ensinou a acertar o passo
Seguir
Rumo ao coração.

Quantos peregrinos!
Quantos me cercaram
Ao cruzar aquele vale sombrio!
Estranhas pessoas me rodeavam sedutoras
Com laços, redes e um profundo abismo
No íntimo de si próprias.

Passei por muitas provas
Esgotei o corpo e a alma
Adoptei lutas que não eram minhas,
Qual débil peregrino!
Fui tomado, usado, vencido e pereci.

Foi tão fácil a caída!
E tão difícil foi levantar-me!
Bendigo o cajado
E os livros que me inspiraram.
Por isso continuo inteiro…
Minha vida está guardada
Na arca mais preciosa
Até ao triunfo merecido.

O cajado e os livros,
Manancial de inspiração,
Rodearam-me de silêncio
Ouvi a voz do coração.

Acordei no Agora!
Abracei quem fui ontem,
Quem vou ser amanhã,
Estou pronto para continuar….

Oh, como flui este rio cristalino
Que acompanha o meu caminho!
Que verdes prados e coloridas flores
Comunicam ao ar os seus perfumes!
Quem alguma vez saboreou
O fruto destas árvores da vida?
Vou a caminho deste sitio delicioso
Estou quase a passar a ponte
Qual peregrino rumo ao coração…
Ariam

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quando a noite vier


Quando a noite vier,
Fecha as janelas,
Fecha as portas,
Apaga as luzes
E acende a vela
Que tiveres esquecido
No canto mais escondido...
Verás a tua escuridão
Iluminar-se...
E nas sombras mais diversas
Descobrirás um novo mundo...
E no gesto mais limitado
A expressão do teu corpo
Será diferente...
Ariam

Se eu me perder na vida


Se eu me perder na vida
Em dias de céu carregado
Que não morra jamais
A inspiração do Horizonte Iluminado!...

Se o amor e a juventude passarem
E o tempo e a glória acabarem
Que não morra jamais
A magia que me encanta!...

Se tudo fugir de meu pensamento
Que não morra jamais
Minha alma apaixonada!...
Ariam

Há algo para além de mim

Há algo para além do que meus olhos vêm
Do que meu pensamento atinge
Do que meus ouvidos ouvem
Do que meu coração sente...
Há algo que eu pretendo agarrar
E me foge
Sempre que estou quase...

Há algo que eu pressinto
E não consigo descobrir,
Que me envolve
E não consigo ver...
Há algo para além de mim
Há algo para além de ti...
Ariam

domingo, 11 de julho de 2010

Quando tudo cair em esquecimento...

Quando nada existir de mim
não morrerá jamais o meu Ser
e algo há-de ficar
de Magia,
de Recordação,
de Presença...

e,
quando tudo cair em esquecimento,
o sonho voará
até.... não sei!
mas voará!...
e o beijo,
o gesto,
o abraço,
o amor,
e o sopro da vida
serão asas
planando no Espaço!...
Ariam

Não quero perturbar o ar que respiro


Não quero perturbar o ar que respiro
nem a terra que piso
com os meus passos inseguros

Desviei-me tanto do caminho que tracei
perdi-me tanto em mundos de gente
perigosamente sedutora
que fala demais em amizade
amizades sociais
e esqueci de mim

Envolvi-me em lutas
que não são a minha luta
e perdi-me de mim

Afastei-me tanto de mim
e agora estou a reencontrar o caminho
de regresso a mim

Só me resta parar
libertar-me de tantos pensamentos

E quando o vazio chegar
recomeçar a pensar pensamentos limpos
sem passado e sem futuro
pensamentos da vida que vive em mim

Retornar ao meu útero interior
donde proveio a vida que espalhei
em cada átomo de mim
e à minha volta

Voltar a rezar como a criança
que desperta para o Universo
O que descobriu em seu imenso coração…

Airam

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CORAGEM DE SENTIR A FORÇA DE UM PROPÓSITO

Tens a coragem de sentir a força de um propósito emergente,
transformador de sentimentos e atitudes
e continuar a ser a mesma pessoa,
não precisas de ressurgir do amor, com tonalidades limpas e frescas, e recuperar a inocência perdida, e continuar a viver no mesmo pântano, nas mesmas águas...
Pois tu és o amor na imensidão do oceano de águas vivas.

É possível despertar para o guerreiro interior, ferido pelas agressividades sociais
e as promiscuidades humanas, e continuar a viver da mesma maneira...
Pois és o guerreiro no seu todo com a força interior latente para despertar,
Qual Maria da Fonte
com a coragem de viver
a força de sentir a verdade
e limpar as águas turvas.

Não é preciso renasceres
pois a tua existência e o teu ser
são o contínuo reconquistar da sanidade e da força perdida
sempre pronta para contribuir para a transformação do mundo,
tão desejada e amada por aqueles que ainda conservam uns restos de humanismo...

É possível viver e, sempre acordada... continuar a ser a mesma pessoa...
Sentir a qualidade interior do amar
Sentir a qualidade interior da justiça
Sentir a qualidade interior da luz que irradias e da beleza que transmites
para um mundo cada vez mais Belo, Justo e Amoroso.


JOMER

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fantástico!? És tu...

Fantástico?! És tu!
Se souberes renascer
Em cada contrariedade...
Se souberes sempre fugir
Às ciladas que te preparam...
Fantástico?! És tu!
Se não quiseres imitar,
Se fores tu... diferente!
Fantástico?! És tu!
Se souberes ceifar o joio
E cuidares do trigo
Para a colheita ser perfeita...

Fantástico?! És tu!
Se te sentires tão humano
Quanto eterno...
Tão simples
Quanto grandioso...

Fantástico?! És tu!
Se não fores mente
Ao sabor do vento!
Se souberes escolher
E estimar a tua escolha
E conservá-la como relíquia...

Fantástico?! És tu!
Se a essência da tua vida
Fôr o Amor
E por ele viveres
E por ele trabalhares
E por ele gozares
E por ele sonhares
E por ele venceres...

Fantástico?! És tu!
Se não resistires ao poder
Que vem de Dentro...

Fantástico?! És tu!
Se sentires em cada acto
Por mais infimo que seja
O Fantástico da Vida...
Ariam

Minha mansão

Minha mansão
De projecto esboçado
No passado e no presente...
Desconhecida
Invisível ao ambiente urbano...

É feita de subtilezas
É feita para durar
Para resistir aos vendavais
Que a vierem a sacudir...

De alicerces fortes
Para ser reconstruída
Se um dia for destruída...

Telhado de vidro transparente
Onde à noite
Deitada no leito da minha existência
Olho as estrelas
Portadoras de Luz...
A via láctea
Prespectiva do Caminho
A Lua
Inspiradora do sonho...

Paredes de côr uniforme!...
Eram de côr uniforme...
Agora são espelhos
Onde se reflecte um mundo
Que adivinho fascinante
Por isso o tento encontrar...
Onde me reflicto também
E me vejo
Tal qual sou,
Sem roupas, sem enfeites...

Os candeeeiros
São as flores
Que tenho colhido...
Senhas de amor!

E tem cadeiras
Onde podes repousar
Onde podes sonhar...

E tem um arôma constante
De amores-perfeitos
Plantados em vasos de porcelana...

E tem um arôma inconstante
De cardos
Mandados contra as janelas...

Labirintos
Já não existem...
Nunca mais te perderás...

Se tiveres frio
Aproxima-te da lareira
Onde a quentura do fogo
Te poderá aquecer...
Se tiveres calor
Refresca-te um pouco
Num lago de águas mansas
Lago por mim inventado...

O chão
De tapete aveludado
Não ferirá teus pés...

Esta, a minha mansão
De projecto esboçado...
Ariam

terça-feira, 6 de julho de 2010

Espírito de mim


Espírito de mim
Herança Cosmica
Eleva-me ao cimo da Montanha
E aí
No mais infinito de mim
Conduz-me à minha Fonte
Para além do Tempo e do Espaço
Faz-me sentir que
O Universo cabe dentro de mim
E eu dentro do Universo

Faz-me sentir que
Cada átomo de mim
É um pedaço de Luz
No imenso Universo
Do meu Ser

Airam

domingo, 4 de julho de 2010

REIKI

Raios de _Sol
Numa chovosa manhã...
São as tuas mãos,
Minha irmã...

Penas leves de andorinha,
Qual brisa em tarde calma,
São as tuas mãos irmã...
Pousando na minha alma.

Ondas marulham na areia
Entoando uma canção...
A das tuas mãos, irmã,
Lavando o meu coração.

Carlos Serrenho

sábado, 3 de julho de 2010

Não é possível acordar... e continuar igual

Não é possível sentir a força de um propósito emergente, transformador de sentimentos e atitudes e continuar a ser a mesma pessoa, confundida e atordoada nos mesmos sentimentos e atitudes do passado...

Não é possível despertar para o ressurgimento do amor, de tonalidades limpas e frescas, recuperar a inocência perdida, e continuar a viver no mesmo pântano, nas mesmas águas...

Não é possível despertar para o guerreiro interior, até agora adormecido no íntimo do coração, ferido pelas agressividades sociais e as promiscuidades humanas, e continuar a viver da mesma maneira...

Não é possível despertar para o VER, descobrir que interagimos sem transparência com o nosso semelhante, que ameaçamos a sobrevivência de uma humanidade desejosa de encontrar o seu verdadeiro destino, e continuar a ser a mesma pessoa, pactuando com criaturas cegas, cheias de ambições efémeras e destrutivas.

Não é possível renascer para si próprio, reconquistar a sanidade e a força perdida e não contribuir para a transformação do mundo, tão desejada e amada por aqueles que ainda conservam uns restos de humanismo...

Não é possível acordar... e continuar a ser a mesma pessoa...
Airam

sexta-feira, 2 de julho de 2010

PALAVRA - Dedicada aos meus semelhantes


A PALAVRA...
O que é a Palavra?
A Palavra é um conjunto de sons
Harmoniosamente articulados…

A Palavra é como um Farol
Que está presente na nossa vida…
E há palavras fortes,
Cujo significado pode transformar as nossas vidas…

A Palavra que nos ajuda
É como uma alegria que vive em nós…
Sem ela não haveria entendimento…

A Palavra é tão bela quanto a luz do Sol
Quando nos desenvolve o conhecimento
Que temos de nós e do mundo…

A Palavra é tão bela quanto a neve fria das montanhas
Quando nos diz a verdade com firmeza e amor
E assim ficamos mais fortes
Para aguentar com as asperezas da vida…

A Palavra é das coisas mais belas do mundo…
É uma estrada sem fim…

A Palavra é um grito… um sentimento…
A Palavra ri e canta…
A Palavra é tudo…
A Palavra é a criação…

A Palavra é uma mulher,um homem, uma criança,
A Natureza, o Mundo, o Universo…

A Palavra é uma canção que dança
À nossa volta…

A Palavra é aquilo que às vezes queremos dizer
E não podemos…

As Palavras TU e EU…
Duas Palavras que se podiam juntar se dissessemos NÓS…
Duas Palavras frias, distantes
Que num sonho foram quentes e próximas…
Mas são duas palavras tão diferentes…

A Palavra é o desabafo de um pensamento…
A Palavra é o tempo…
A Palavra é a rainha
A rainha de qualquer língua…
A Palavra é uma pessoa…
A Palavra transporta-nos
Ao mundo do conhecimento…

A Palavra magoa… A Palavra conforta…
Eu sou uma Palavra
Que mesmo sem falar pode dizer milhares de coisas…

Tu és uma Palavra,
E mesmo sem falares podes dizer muita coisa…
O teu gesto, a tua atitude na vida.
Até o teu olhar,
É uma Palavra…

Em cada Palavra está o mundo…
O difícil não é dizê-la mas interpretá-la.
Uma Palavra é aquilo que diz muito e às vezes…pouco…

A Palavra é transparente…
A Palavra é o que é….
A Palavra é a vida de toda a gente.
É a vida de tudo…

A Palavra por vezes é algo tão difícil de dizer
E tão difícil de escolher!…
Mas nesta luta de guerreiro
As palavras que se dizem e não dizem,
São como Rochas
À sombra das quais nos protegemos dos ventos...

Ariam

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ALFABETIZAÇÃO

Peço licença para algumas coisas.
Primeiro, para cantar este canto de Palavras.
Sucede que sei dizer tão pouco
no Universo das Palavras
em que as letras são as estrelas.

Quando olho o manto azul cheio de estrelas
em meu peito floresce
o desejo de soletrar,
as letras do alfabeto
debaixo do Sol de Timor Lorosae.

A palavra PE-DRA, por exemplo,
e poder ver que com ela se fazem
paredes, casas e janelas
e descobrir que todos os sons das palavras
são mágicos sinais
que nos vão abrindo,
constelações de girassóis
florescendo debaixo do Sol
em círculos de luz que de repente
se espalha no chão da casa
que às vezes não há casa: é só chão.

Mas sobre o chão quem reina agora
é uma mulher e um homem, diferentes
que acabam de renascer
porque unindo as letras,
aos poucos, constroem palavras
e aos poucos vão também unindo argila,
alegria e pão
acabando por unir a própria vida
que no seu peito estava destruída.

Debaixo da Luz dourada do Sol
descobrem que o mundo é seu também,
que o seu trabalho tem valor,
e que é um modo de amar
e de ajudar o mundo a ser melhor.

Peço licença para dizer
estes mulher e homem renascidos
são pessoas novas:
Eles atravessam os campos espalhando
a chama dos cantares feitos de palavras,
e chamam os companheiros
a trabalharem, face a face,
contra a ignorância
que não resiste à riqueza interior
do querer Aprender e Ser...

Peço licença para terminar
soletrando a palavra LI-BER-DA-DE
que existe nos sons da alegria
e que se vê iluminar
nos olhos da mulher e do homem
que aprendem a ler
e a dar valor à Palavra.

Ariam
Timor-Leste 2004

terça-feira, 29 de junho de 2010

HUMILHAÇÕES VERSUS VITÓRIA

Humilhações vividas
Sentidas no silencio da alma
E na tangibilidade do corpo
Disparadas de egoísmos doentios
De maldades inconscientes
De volúpias de prazeres efémeros
De insensibilidades daqueles que se julgam gente

Humilhações que só eu senti
Perante os olhos cegos
Daqueles cegos que só vem
Os seus dúbios interesses
E nada mais do que isso

Humilhações ferindo em segredo
Quais espadas
Se transformando em asas de Águia
Voando em céus obscuros
Na direcção dos rochedos da Vitória

Vitória sobre as sementes da humilhação
Vitória sobre as gentes de fúteis vaidades
Vitória sobre o eu egoico
Vitória sobre o SER...

Autor: Mertuto

domingo, 27 de junho de 2010

O INTENTO



No Universo, há uma força imensurável e indescritível
que os toltecas chamam de intento,
e absolutamente tudo o que existe no cosmo inteiro
está ligado ao intento por um elo de conexão.
Autor: Carlos Castaneda/D.Juan Matos

PALAVRAS


PALAVRAS
As Palavras
Simples e naturalmente são
As PALAVRAS
Mágicas Belas
Em qualquer língua
Em qualquer País
Em qualquer ponto do Universo

E mesmo que não sejam escritas
São pensadas
São
A matéria prima da criação
Voando no real mundo
Da imaginação
Qual mundo
Donde nascem as ideias
Ideias regeneradores
Plenas de água viva
PALAVRAS
Que
Unidas em harmonia e beleza
São portadoras de mensagens
Para o novo mundo
Que a humanidade sonha
Em Palavras
Ditas
E
Pensadas
Na minha e na tua língua
Línguas Sagradas
Que a nossa voz pronunciou
Pela primeira vez
Que o pensamento sentiu
Pela primeira vez

PALAVRAS
Que dão ânimo
Às nossas vidas
Profundamente sentidas
Projectadas no Universo
Da Criação Infinita

Autor: RM

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SILENCE

Silence, when self encountered
Allows one to hear inner voices
Like in the dark silent nights
Small Voices are audible clear
Silence, the weapon to avoid
Arguments, misunderstanding
More to avoid or defer them
But adds to reconciliation
Silence may well be bliss, but
Leaves few questions unanswered
Keeps the other side guessing
In their very own ways…

Author: Udaya Pant

FAR BETTER

I wanted to reach the sky
Tried to move up to that
Each time I achieved height
It became yet higher too
I wanted just a touch of sky
I tried to raise my hands
Everytime I extended hand
They remained yet short
I thought I reached the sky
I looked around to feel it
And felt it was a vacuum
My earth looked far better!

Author: Udaya Pant

AMIZADE E BELEZA INTERIOR… FÁTIMA




A minha amiga Rosa
É meiga, linda e doce
Uma pessoa amorosa
Quem dera eu assim fosse

Vê o mundo com outros olhos
Com os olhos do coração
E não se poupa a escolhos
Em busca da realização

Sente-se o seu amor
Com muita intensidade
É tanta que às vezes dá dor
E não diminui com a idade

Rosita és tão especial
Tão pura, tão transparente
Eu desejo que nenhum mal
Te possa tornar diferente

Quando te vimos apetece
Dar abraços e carinhos
É o teu olhar que aquece
Que nos enche de miminhos

És tão querida e tão terna
Acalmas o teu semelhante
Amas de forma fraterna
Com verdade no semblante

Desejo que o teu amor
Possa transformar o mundo
E tudo ao teu redor
Seja verdadeiro e profundo

Um obrigado para ti Rosa
Carinhos, abraços, mil beijos
Continua sempre charmosa
E que se realizem os teus desejos

Autora: Maria de Fátima

quarta-feira, 23 de junho de 2010

LIVROS DORMINDO NO BERÇO DO CONHECIMENTO


Possam os horizontes do conhecimento
E do auto-conhecimento
Se unirem na mesma linha.

Possa o vento soprar trazendo boas novas,
O Sol brilhar trazendo a claridade
E a chuva cair de manso na terra do Aprender...

Possa a Fé de cada momento,
Nos conduzir ao mundo sonhado,

desde o início dos tempos,
em que os livros dormiam no berço do conhecimento,
sonhando acordar,
num dia de Sol radiante,
Espalhando folhas de Sabedoria e Arte,
Quais asas despertando as vontades
para a reconstrução emergente...

Autor: Airam



SER INACCESIBLE


La mayoria de la personas se la pasan en la vida quejándose, golpeándose y conformándose con cualquier "socio voluntario", estan metidos en ires y venires, son obvios y evidentes.
Ser inaccesible significa que un guerrero está y no está, ser inaccesible no significa que deba estar escondido.
Ser inaccesibles es la condición de un guerrero para no "embarrarse" en el mundo de los sentimientos y las personas.
Ser inaccesible significa tocar lo menos posible el mundo y tratar, a propósito, de ponerse fuera del alcance de la gente, no aferrarse ni agotarse con lo que normalmente se aferra.
Ser inaccesible significa que un guerrero no maltrata ni deforma al mundo, no explota ni exprime a las personas, y menos a las que ama.
La inaccesibilidad de un guerrero le permite estar en el mundo y no deformarlo; sólo lo usa impecablemente y luego parte sin que nadie se de cuenta de su llegada, ni de su partida.